
Na última instalação da "Trilogia de Berlim" nota-se a mudança como palavra-chave. Robert Fripp não fazia parte da equipa de músicos liderada por Bowie e Brian Eno, que desta vez tinha contratado Adrian Belew (que viria a fazer parte da banda de Fripp, os King Crimson, alguns meses depois), o que dá um ar exótico e extravagante a algumas das músicas em que participa.
Alguns músicos foram encorajados a tocar instrumentos que não eram os seus habituais, como por exemplo Carlos Alomar, que tocou bateria em vez de guitarra, no primeiro single do disco "Boys Keep Swinging".
Alguns músicos foram encorajados a tocar instrumentos que não eram os seus habituais, como por exemplo Carlos Alomar, que tocou bateria em vez de guitarra, no primeiro single do disco "Boys Keep Swinging".
Além destas mudanças, a mais óbvia deve-se ao facto de este disco não conter nenhum dos temas instrumentais que marcaram esta trilogia. Não existem aqui passagens sonoras negras, gélidas e atmosféricas como em Low e "Heroes". A influência do krautrock também é menos notória.
Lodger surge assim como um disco mais fracturado que fracturante, fruto das suas várias experimentações sonoras e texturais. O disco apresenta-se incoerente e inconsistente, não estando por isso a par das obras monumentais que Bowie criou em Berlim. No entanto, apesar de alguns pontos menos inspirados, Lodger tem bons momentos que crescem com o número de audições.

Tu escreveste exactamente o que sempre estive a pensar sobre este álbum, desde que o ouvi pela primeira vez, lá pelos idos de 1981. Dou a Lodger a nota 8 (em escala de 0 a 10, como se faz aqui no Brasil). Os meus Bowies preferidos são, pela ordem:
ResponderEliminar1 - Heroes
2 - Low
3 - Station to Station
4 - Ziggy Stardust
5 - Alladin Sane.
Enaldo, ouvi-lo em 81 deve ter sido ainda mais fantástico que agora! Bowie foi sempre um inovador e ajudou a abrir a música pop a outras vertentes.
ResponderEliminarEu também tenho essa mania de classificar discos (coisa de melómanos que não tem mais que fazer :p) e para mim vale 7.5 :p
Gosto de viajar cronologicamente pelas discografias, pelo que depois de 1979 ainda não conheço nada de Bowie, mas até lá, já encontrei umas quantas obras-primas indiscutíveis, tais como esses que referiste ;)
Gosto muito de Bowie. Não conheço este album. Até que ponto é que posso dizer que gosto de um cantor sem conhecer toda a sua obra? Questão epistemológica.
ResponderEliminarMas pelo que dizes, não é dos melhores. Quando tiver algum tempo livre procurarei ouvir e discutir contigo.
Boa escrita, continua.
Agnes, boa noite.
ResponderEliminarSe tu me permites, creio poder afirmar que todos os discos de Bowie entre 1970-80 valem a pena conhecer. No mais, passada esta data, há que pesquisar muito para ver se encontra algo digno de se ouvir.
O desporto e a música, por mais diversificada que seja, são ambos um diferente estilo de arte :)
ResponderEliminarObrigado, escrever sobre futebol, principalmente sobre o Porto, é uma coisa natural para qualquer portista, digo eu.
O Sporting tem isso tudo a valoriza-lo e estou convicto que este ano vai lutar pelo título afincadamente.