27 Maio 2011

The Tree Of Life - Terrence Malick (2011)


Finalmente mostrou a cara o último filme de Terrence Malick, The Tree Of Life. Este filme foi premiado em Cannes no domingo passado, com a Palma de Ouro do festival. Quem não mostrou a cara foi Malick, que continua a viver como um recluso e de quem pouco ou nada se sabe.
A sua filmografia consiste em apenas 5 filmes, Badlands (1973), Days Of Heaven (1978), The Thin Red Line (1998), The New World (2005) e The Tree Of Life (2011).
The Tree Of Life é um filme sobre uma família nos anos 50 e sobre o seu filho, já no presente. A perda da inocência sempre foi um tema explorado pelo realizador, mas neste filme tudo vai mais além, usando bastantes metáforas e explorando a dualidade da "graça" e da "natureza".
Com efeito, Malick intercepta imagens da criação do universo, bem como da concepção da vida e a evolução, realçando o lado místico e espíritual da obra, um pouco como tinha feito Stanley Kubrick no seu 2001: A Space Odyssey (1968) e muito recentemente Gaspar Noé em Enter The Void (2009), com imagens da rotina familiar e mais propriamente, da visão do rapaz que experiencia novas sensações e sentimentos.
Em The Tree Of Life não há só Kubrick, há também Bela Tarr, naquelas viagens intermináveis da câmera que rodeia os personagens e até nos sinos que se vão ouvindo no decorrer do filme. Há também Andrei Tarkovsky e o seu Zerkalo (1975), explorando a relação do filho com a mãe (que chega a levitar) e há em particular outro filme, que é um dos melhores da década passada, Stellet Licht (2007) de Carlos Reygadas, na fotografia do filme, nos ambientes que explora, com a câmara a passear por entre campos e flores bem como pelos rios e até na família, que é em tudo similar áquela que nos era apresentada no filme do mexicano.
O filme é uma combinação de milhões de fragmentos que pretende explorar e transmitir uma espiritualidade presente na vida, e que o faz eficazmente, sendo um dos grandes eventos cinematográficos da época e concorrendo desde já para as listas dos melhores de fim de ano.

6 BLASTS:

  1. Não estava muito ansioso para o ver mas ultimamente tem me vindo a crescer essa ansiedade e curiosidade, não só porque ganhou a palma de ouro mas porque a crítica é muito dividida, no público (que é praticamente o único jornal que leio - fora os desportivos eheh) o Mourinha e o Oliveira dão-lhe 4 estrelas mas o Vasco Câmara dá-lhe 2, que diferença. Tenho de ver :)

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  2. E o filme é mesmo muito divisor... Acho que tens de pensar bastante nele, é muito poético e fragmentado.
    Vi no cinema e como podes imaginar, no fim do filme só se ouviam risinhos de ignorância.
    Mas vê, que acho que vais gostar :)

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  3. Gostei da tua review, mas acho que o filme é muito complexo e devias explorar e analisar de forma mais profunda. Por exemplo, dares a tua interpretação da simbologia que ele coloca no filme e a tal questão da origem do universo.

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  4. Posso dizer que vai no encalço de The Fountain? Ou é descabido?

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  5. Já vi.na última sexta. Acho que a tua análise se desencontra um pouco com a totalidade do filme, pelo menos a meu ver. Acho que transcende o lado espiritual...é algo ainda mais profundo e sensitivo, que passa pela perda da inocência, mas também pela própria "Tree of Life"...


    Cumprimentos,
    Andreia Mandim

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