
Finalmente mostrou a cara o último filme de
Terrence Malick,
The Tree Of Life. Este filme foi premiado em Cannes no domingo passado, com a Palma de Ouro do festival. Quem não mostrou a cara foi Malick, que continua a viver como um recluso e de quem pouco ou nada se sabe.
A sua filmografia consiste em apenas 5 filmes,
Badlands (1973),
Days Of Heaven (1978),
The Thin Red Line (1998),
The New World (2005) e
The Tree Of Life (2011).
The Tree Of Life é um filme sobre uma família nos anos 50 e sobre o seu filho, já no presente. A perda da inocência sempre foi um tema explorado pelo realizador, mas neste filme tudo vai mais além, usando bastantes metáforas e explorando a dualidade da "graça" e da "natureza".
Com efeito, Malick intercepta imagens da criação do universo, bem como da concepção da vida e a evolução, realçando o lado místico e espíritual da obra, um pouco como tinha feito
Stanley Kubrick no seu
2001: A Space Odyssey (1968) e muito recentemente
Gaspar Noé em
Enter The Void (2009), com imagens da rotina familiar e mais propriamente, da visão do rapaz que experiencia novas sensações e sentimentos.
Em The Tree Of Life não há só Kubrick, há também
Bela Tarr, naquelas viagens intermináveis da câmera que rodeia os personagens e até nos sinos que se vão ouvindo no decorrer do filme. Há também
Andrei Tarkovsky e o seu
Zerkalo (1975), explorando a relação do filho com a mãe (que chega a levitar) e há em particular outro filme, que é um dos melhores da década passada,
Stellet Licht (2007) de
Carlos Reygadas, na fotografia do filme, nos ambientes que explora, com a câmara a passear por entre campos e flores bem como pelos rios e até na família, que é em tudo similar áquela que nos era apresentada no filme do mexicano.
O filme é uma combinação de milhões de fragmentos que pretende explorar e transmitir uma espiritualidade presente na vida, e que o faz eficazmente, sendo um dos grandes eventos cinematográficos da época e concorrendo desde já para as listas dos melhores de fim de ano.