14 Outubro 2011

Pharoahe Monch



5 de Novembro, no Hard Club.

Porto.

22 Julho 2011

Fantômas - The Director's Cut Live: A New Year's Revolution


Um dos acontecimentos mais interessantes do ano 2001 no espectro da música pesada foi, a par de obras como A Sun That Never Sets, Jane Doe, Bath, Lateralus ou Blackwater Park, o segundo disco dos Fantômas, intitulado The Director's Cut, que como o próprio nome sugere, é um álbum de interpretações muito pessoais de temas de bandas sonoras de filmes de terror e clássicos obrigatórios como The Godfather, Rosemary's Baby, Night Of The Hunter ou Twin Peaks.
The Director's Cut é quase uma ilha entre os registos dos Fantômas, sendo o seu disco mais musical e até "convencional", se é que podemos usar essa palavra a menos de um parágrafo de distância do nome do grupo.
Em 31 de Dezembro de 2008 ou grupo reuniu-se para um concerto, juntando-se desta vez Dale Crover (substituindo Dave Lombardo e também Terry Bozzio) ao núcleo formado por Mike Patton, Buzz Osbourne e Trevor Dunn.
O resultado dessa noite será editado a 6 de Setembro num DVD chamado The Director's Cut Live: A New Year's Revolution e em CD com o mesmo nome.

07 Julho 2011

Época de mudanças?

Em variadíssimas áreas o Verão parece trazer finais de ciclos e consequentes mudanças.
Nesta época há uma entidade no mundo da música que por pequenos sinais parece apostada em mudar um pouco a formula que até aqui lhes trouxe reconhecimento mundial, que são os Mastodon.
Primeiro foram as declarações de Brann Dailor: "When you listen to the songs, they don't sound as 'fun' as we perceive them to be, I guess (...) And then we wrote a whole bunch of brand new stuff. There's, like, 14 songs that we recorded. And it's sort all over the place — a lot of different sounds. Some straight-up classic-rock-sounding songs, straight-up death metal-sounding songs and some completely bizarre, weirdo rock songs that we're not really sure what they are, but we love them."
Parece que este discurso deixa transparecer uma espécie de mudança, no modo como as novas músicas soam e até no caminho percorrido, que parece ter fechado a porta ás canções épicas e mais sérias em duração e composição.
Hoje, foi apresentado o artwork do novo disco, já intitulado The Hunter.

Se bem se recordam das capas dos quatro anteriores discos havia uma ligação entre elas, no tipo de cores e de formas (o que não acontece nesta nova), uma vez que eram discos que formavam um tema, cada um deles tratando de um dos quatro elementos, fogo, água, terra e ar.
Findado este percurso, surge The Hunter, um novo disco no caminho, que até o nome parece ser atípico aos Mastodon.
No entanto, Brann Dailor assegura: "it's still pretty extremely heavy material."

29 Junho 2011

David Bowie - Lodger (1979)


Na última instalação da "Trilogia de Berlim" nota-se a mudança como palavra-chave. Robert Fripp não fazia parte da equipa de músicos liderada por Bowie e Brian Eno, que desta vez tinha contratado Adrian Belew (que viria a fazer parte da banda de Fripp, os King Crimson, alguns meses depois), o que dá um ar exótico e extravagante a algumas das músicas em que participa.
Alguns músicos foram encorajados a tocar instrumentos que não eram os seus habituais, como por exemplo Carlos Alomar, que tocou bateria em vez de guitarra, no primeiro single do disco "Boys Keep Swinging".
Além destas mudanças, a mais óbvia deve-se ao facto de este disco não conter nenhum dos temas instrumentais que marcaram esta trilogia. Não existem aqui passagens sonoras negras, gélidas e atmosféricas como em Low e "Heroes". A influência do krautrock também é menos notória.
Lodger surge assim como um disco mais fracturado que fracturante, fruto das suas várias experimentações sonoras e texturais. O disco apresenta-se incoerente e inconsistente, não estando por isso a par das obras monumentais que Bowie criou em Berlim. No entanto, apesar de alguns pontos menos inspirados, Lodger tem bons momentos que crescem com o número de audições.

27 Maio 2011

The Tree Of Life - Terrence Malick (2011)


Finalmente mostrou a cara o último filme de Terrence Malick, The Tree Of Life. Este filme foi premiado em Cannes no domingo passado, com a Palma de Ouro do festival. Quem não mostrou a cara foi Malick, que continua a viver como um recluso e de quem pouco ou nada se sabe.
A sua filmografia consiste em apenas 5 filmes, Badlands (1973), Days Of Heaven (1978), The Thin Red Line (1998), The New World (2005) e The Tree Of Life (2011).
The Tree Of Life é um filme sobre uma família nos anos 50 e sobre o seu filho, já no presente. A perda da inocência sempre foi um tema explorado pelo realizador, mas neste filme tudo vai mais além, usando bastantes metáforas e explorando a dualidade da "graça" e da "natureza".
Com efeito, Malick intercepta imagens da criação do universo, bem como da concepção da vida e a evolução, realçando o lado místico e espíritual da obra, um pouco como tinha feito Stanley Kubrick no seu 2001: A Space Odyssey (1968) e muito recentemente Gaspar Noé em Enter The Void (2009), com imagens da rotina familiar e mais propriamente, da visão do rapaz que experiencia novas sensações e sentimentos.
Em The Tree Of Life não há só Kubrick, há também Bela Tarr, naquelas viagens intermináveis da câmera que rodeia os personagens e até nos sinos que se vão ouvindo no decorrer do filme. Há também Andrei Tarkovsky e o seu Zerkalo (1975), explorando a relação do filho com a mãe (que chega a levitar) e há em particular outro filme, que é um dos melhores da década passada, Stellet Licht (2007) de Carlos Reygadas, na fotografia do filme, nos ambientes que explora, com a câmara a passear por entre campos e flores bem como pelos rios e até na família, que é em tudo similar áquela que nos era apresentada no filme do mexicano.
O filme é uma combinação de milhões de fragmentos que pretende explorar e transmitir uma espiritualidade presente na vida, e que o faz eficazmente, sendo um dos grandes eventos cinematográficos da época e concorrendo desde já para as listas dos melhores de fim de ano.

21 Maio 2011

Von Trier e Hitler em Cannes


O festival de Cannes declarou Lars Von Trier persona non grata ao festival, tendo-o já banido de futuras edições. Sendo assim, Melancholia será o seu último filme a competir pela Palma de Ouro, ainda que o realizador tenha sido aconselhado a não aparecer caso vença o prémio.
Na minha opinião é um exagero. Contextualizando, todas as declarações, sobre Hitler, de Von Trier foram uma brincadeira para escapar a perguntas sobre a sua obra, seguindo um caminho de ironia e rebeldia.
Recorde-se, que na mesma conferência de imprensa Von Trier disse que estava já a trabalhar num filme pornográfico de 4 horas e sem diálogos com as actrizes, Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg.
Quem castiga um realizador que está ali com a sua personagem de sempre, o enfant terrible que é uma das figuras do festival há já 20 anos e, ao mesmo tempo, bajula Mel Gibson, esse sim, um verdadeiro anti-semita que não fala em tom jocoso como Von Trier, não me parece ter o mínimo de coerência.

24 Abril 2011

Johnny Guitar - Nicholas Ray (1954)


Passaram-se semanas e aquele diálogo entre Vienna e Johnny Logan ainda ecoa dentro de mim. Aquele que começa e acaba com perguntas de Vienna: "Having fun Mr. Logan?" e "What took you so long?" Aquele que é acompanhado por uma música frágil e intensa, maior que todas as emoções! Aquele que forma uma das mais belas cenas que vi até hoje, sem a menor dúvida...

19 Abril 2011

Children Of Men - Alfonso Cuarón (2006)



Digam o que disserem, os planos sequência deste filme são do c******.

16 Abril 2011

Aniki Bóbó - Manoel de Oliveira (1942)


Ontem iniciei-me em Manoel de Oliveira. É verdade, com muita pena minha nunca tinha visto nada do realizador centenário.
Resolvi começar pelo início, pela sua primeira longa metragem de ficção, que é Aniki Bóbó.
E posso dizer que as expectativas foram preenchidas e até ultrapassadas, isto porque Aniki Bóbó é uma obra-prima.
A história de um grupo de crianças, principalmente Carlos, Teresinha e Eduardo é muito bem construída e especialmente tocante, neste filme que é um percursor do neo-realismo italiano.
Fica agora a vontade de ver mais e mais do senhor Manoel de Oliveira!

26 Março 2011

A Woman Under The Influence - John Cassavetes (1974)


A Woman Under The Influence é um filme de 1974, dirigido por John Cassavetes, e protagonizado pela sua mulher Gena Rowlands.
O filme segue Mabel, uma mulher perturbada, entre a depressão e a loucura e questiona os efeitos dessa condição numa família e num lar, assim como a loucura que se calhar todos nós possuimos.
Não há muito a dizer sobre este filme, apenas que Gena Rowlands tem provavelmente a melhor interpretação feminina que vi em toda a minha vida, com uma volatilidade impressionante.
Esta interpretação rivaliza com a de Maria Falconetti, em La Passion De Jeanne D'Arc em 1928, do grande Dreyer naquilo que poderemos considerar a melhor interpretação feminina de sempre, sendo esta uma interpretação de cinema mudo, que nos desarma completamente com aquele olhar.
Podemos também ver mais uma vez que os Oscares primam pela injustiça, é que Gena Rowlands não levou a estátua para casa...