01 Fevereiro 2010

SY nos coliseus!


Saio do caixão só para dar aquela que é a notícia do mês.
Sonic Youth em Portugal. No Coliseu de Lisboa a 22 de Abril, e no dia 23, cá no Porto!
Ver o que o senhor Thurston Moore faz á guitarra ao vivo vai ser lindo...

26 Dezembro 2009

16 Dezembro 2009

Naked - Mike Leigh (1993)


Numa semana em que mal tenho tempo para me dedicar ás coisas que gosto, arranjo só um tempinho para falar no último filme que deixou as minhas necessidades cinéfilas completamente preenchidas, ou melhor, extasiadas.
Naked, é um filme que Mike Leigh realizou em 1993 e é, quanto a mim, um dos melhores filmes da década de 90, com um lugar bastante alto se reduzirmos a amostra ao velho continente.
A história é bastante simples. Johnny (David Thewlis) foge de Manchester para Londres, em busca da sua ex-namorada Louise (Leslie Sharp), após uma relação sexual que deu para o torto. E basicamente, é esta a história.
No entanto, todo o filme está cheio de encontros de Johnny com diversas personagens, todas elas excêntricas á sua maneira. Todas essas personagens obtêm representações ao mais alto nível, como por exemplo, o bastante jovem Ewen Bremner (o Spud de Trainspotting), que dá vida a Archie, ou então Katrin Cartlidge, a Sophie, uma viciada em heroína que desespera por ser amada.
Se todas as personagens estão bem representadas, a cereja no topo do bolo vai mesmo para David Thewlis, com uma intrepretação grandiosa, que nos faz ter a certeza que existem muitos lobbies, na indústria e nos prémios atribuídos (olá Oscars), pois esta interpretação é das melhores que vi em fita.
Johnny é um anti-heroi, tão céptico como crente, tão apaixonado como destrutivo. Negativista e irónico, depressivo ou retórico. Espelha dúvidas e avança com teorias. Aprecia clássicos de leitura. E a bíblia também...
Mike Leigh, quase não definiu um guião, e grande parte do filme foi baseado em improviso, resultando num character study visceral, que foge a todos os lugares comuns, atente-se no facto de Leigh filmar bastantes cenas-chave em escadas, lugares que são considerados não-lugares.
Naked, é um filme obrigatório e infelizmente bastante, e reforço o bastante, ignorado.

07 Dezembro 2009

Parabéns Tom...


Um dos meus músicos de eleição, o senhor Tom Waits comemora hoje 60 anos.
Dono de uma voz inconfundível, descrita como "se este tivesse bebido um bidão de Bourbon, deixado numa sala cheia de fumo durante meses e depois atropelado por um carro", a verdade é que o senhor Waits canta e faz discos como ninguém há já 36 anos, contando com 19 discos de estúdio, entre os quais o triplo Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards, que data de 2006. Já este ano e há poucas semanas atrás editou o disco duplo ao vivo, Glitter And Doom Live.
Tom Waits também tem uma carreira no cinema e trabalhou por diversas vezes com realizadores como Jim Jarmusch ou Francis Ford Coppola, ora como actor, ora como criador de bandas sonoras (todas de merecido destaque) para obras como, One From The Heart, The Outsiders, Rumble Fish, Down By Law, The Fisher King, Dracula, Coffee And Cigarettes e no pronto a estrear The Imaginarium Of Doctor Parnassus de Terry Gilliam.

"No, I don't have a drinking problem except when I can't get a drink."

"All hardware items must be admired for their sonic properties: pitchforks, egg beaters, crowbars, fireplace grates, shovels, anvils, rebars [the structural reinforcement rods used in poured concrete], trash cans - the list goes on and on and they're all waiting to be played."

Agora, uma rica prenda, não para ele mas para mim seria um concerto por cá...

06 Dezembro 2009

Offret - Andrei Tarkovsky (1986)

Falar de Andrei Tarkovsky é sempre uma tarefa difícil. Um génio inconstestado na arte de fazer cinema, este cineasta russo chegou a um nível a que só os melhores são capazes.
Vi Offret (O Sacrifício em português) há dois dias e ainda hoje existem imagens, diálogos e momentos no filme que me deixam a pensar.
Ora, Offret foi o último filme de Tarkovsky e foi rodado na Suécia, com a ajuda dos habituais colaboradores de Ingmar Bergman, como Erland Josephson, Allan Edwall ou o lendário director de fotografia Sven Nykvist.
Esta obra-prima conta a história de Alexander (Josephson), um ex-actor e professor de filosofia e estética que convida os seus amigos para o seu aniversário, no entanto nessa noite é declarada a Terceira Guerra Mundial, um acontecimento que afecta a todos os presentes. No entanto, Otto (Edwall) que colecciona factos estranhos e inexplicáveis, mostra-lhe a solução para todo o conflito. Alexander têm de ir ao encontro de Maria.
Ao mesmo nível na história está presente a relação de Alexander com o seu filho, revelando-lhe as preocupações que nutre pelo espírito humano que considera em completa decadência.
Como toda a obra de Tarkovsky, este filme está impregnado de questões filosóficas e humanistas, aproximando sempre a relação do homem com Deus e, deixando-nos (como é hábito nos seus filmes) com mais perguntas que respostas.
É bom ver as esferas de dois dos maiores pensadores, além de cineastas (Bergman e Tarkovsky) a interagir, nem que seja em poucos pontos, como o país de rodagem ou o uso dos mesmos actores ou do usual director de fotografia de Bergman, Nykvist.
Nota máxima para Offret, perfeito a todos os níveis. Erland Josephson têm - como sempre - uma interpretação ao mais alto nível.
Andrei Tarkovsky morreria no final do ano de estreia de Offret, não estando presente em Cannes quando o filme recebeu quatro prémios. Andriushka Tarkovsky, o filho (e a quem o filme é dedicado) subiu ao palco e recebeu os prémios, recolhendo o aplauso geral de varios minutos para o génio que foi Andrei.

03 Dezembro 2009

Parabéns Jean-Luc


"I make film to make time pass."

"I don't think you should FEEL about a movie. You should feel about a woman. You can't kiss a movie."

"All you need to make a movie is a girl and a gun."

"It's over. There was a time maybe when cinema could have improved society, but that time was missed."

"Cinema is the most beautiful fraud in the world."

"In order to criticize a movie, you have to make another movie."

02 Dezembro 2009

Isis @ Sá da Bandeira

Primeiramente, uma palavra para os Keelhaul, que abriram a noite em grande força com o seu sludge cheio de riffs matemáticos e caóticos. De seguida, os Circle, deram um dos espectáculos mais estranhos que vi até hoje! O vocalista excêntrico e a música desprovida de qualquer tipo de estrutura, ofereceram-nos um espectáculo (mais que um concerto) que encerra em si um universo muito próprio, em que tivemos direito a um híbrido de marchas Hitlerianas, Power Rangers, filosofia oriental e as suas típicas posições de combate, roupa que encaixava nuns Village People, histórias contadas em finlandês e uns passinhos de ballet(!).
Os Isis deram um concerto memorável no passado dia 29 de Novembro no Sá da Bandeira, mostrando porque são considerados um dos colectivos mais interessantes dos noughties (00's).
A banda de Aaron Turner é uma daquelas (que se contam pelos dedos de uma mão) que tornam os concertos ao vivo em experiências completamente transcendentais. Há uma noção de espiritualidade quando actuam ao vivo, seja pela natureza dos temas, seja pela alienação que sentem eles e sentimos nós, em pura comunhão pela música.
Por mais que queira explicar o que senti, é impossível... Foi arte e foi espiritualidade, foi intimismo e foi comunhão, foi uma experiência catárquica que me deixou sem palavras nos minutos que se seguiram ao final do concerto.
29-11-2009
Sá da Bandeira, Porto
Hall of the Dead
Stone to Wake a Serpent
Dulcinea
20 Minutes/ 40 Years
Ghost Key
Backlit
Threshold of Transformation
--
Carry
Altered Course

Em tour de apresentação ao novo Wavering Radiant seria de esperar que tocassem maioritariamente temas desse disco (o que não me causa qualquer desconforto), mas dentro dos sets que tem tocado este era aquele que mais me agradava. O final com a Altered Course foi um dos momentos musicais mais intensos a que já assisti e que era mesmo a minha preferida para acabar o concerto.
No final, pessoas bem acessíveis e sem manias de estrelas (como muitos que por aí andam). Quase que era espancado mas consegui entrar no backstage e conversar uns minutos com o Mike e o Jeff e dizer-lhe porque é um dos melhores baixistas da actualidade ;)
Uma noite que vai ficar para sempre guardada na memória de todos aqueles que lá estiveram e além disso ainda consegui todos os meus discos autografados por todos os membros da banda norte-americana :D
Não, este não foi (só) o concerto do ano, foi um concerto de uma vida.

Fotos por Jorge Silva

01 Dezembro 2009

Parabéns Woody...

"I don't believe in an afterlife, although I am bringing a change of underwear."

"I can't really come up with a good argument to choose life over death. Except that I'm too scared."

"I've never felt that if I waited five years between films, I'd make better ones. I just make one when I feel like making it. And it comes out to be about one a year. Some of them come out good, and some of them come out less than good. Some of them may be very good and some may be very bad. But I have no interest in an overall plan for them or anything."

"Retire and do what? I'd be doing the same thing as I do now: sitting at home writing a play, then characters, jokes and situations would come to me. So I don't know what else I would do with my time."

28 Novembro 2009

Fim de semana com os Isis

Amanhã é o grande dia do ano, no que se refere a concertos por terras lusas.
Os Isis estarão hoje pela primeira vez, em Lisboa mas, desculpem-me o regionalismo, vai ser cá no Porto que vão rebentar com tudo!
Uma das bandas mais importantes da década, com 5 discos editados desde 2000 a 2009, o reconhecimento da crítica e público, pela carreira sempre ascendente, desafiante e que nos mostra a cada álbum mais territórios descobertos nesta jornada de sucesso, pisará pela primeira vez os palcos portugueses.
Não é surpresa para ninguém que os Isis me agradam, e agradam muito mesmo. São uma daquelas bandas em que me lembro exactamente de quando os ouvi pela primeira vez, onde estava, qual foi a música (Carry) e o que senti ao ouvir aquele som totalmente novo para mim!
A banda de Jeff Caxide, Aaron Harris, Mike Gallagher, Cliff Meyer e o senhor Aaron Turner, dono da grande Hydra Head Records estará acompanhada pelos Keelhaul e pelos Circle que terão a tarefa de abrir as hostilidades para essas duas grandes noites.
Uma palavra de agradecimento á Amplificasom (André e Crest) pelo trabalho que têm vindo a desenvolver para colocar Portugal no mapa dos grandes concertos e por dinamizar a noite do Porto em especial. Este concerto significa muito para eles e significa muito para todos nós, fãs da banda norte-americana.
Se puderem não percam esta oportunidade de ver os Isis, no Teatro Sá da Bandeira, as portas abrem ás 20:00.

A day it changes everything

19 Novembro 2009

Discos de Uma Vida: 002


PJ Harvey - Dry (1992)

01 Oh My Lover
02 O Stella
03 Dress
04 Victory
05 Sheela-Na-Gig
06 Hair
07 Joe
08 Plants And Rags
09 Fountain
10 Water

O debute de PJ Harvey, Dry, de 1992 deixou meio mundo boquiaberto.
Uma miuda inglesa de 22 anos editava um disco extremamente bem escrito e que mesmo assim seguia as tendências da altura das guitarras rasgadas,talvez seja por isso que muitos músicos se confessaram fãs deste álbum, que constava na mítica lista dos 50 discos preferidos de Kurt Cobain.
Dry é, apesar de toda a sua energia, de toda a rawness e de toda a negridão que por lá habita, um disco extremamente feminino. As letras de Harvey focam-se em temas pós-feministas, lidando com esse mundo oscilante e perverso, no entanto Polly Jean hasteou de novo a bandeira que pertencia anteriormente a Patty Smith, a bandeira da mulher sem merdas e cheia de tomates, a mulher do rock com letras inteligentes, determinadas e acima de tudo memoráveis!
Em Dry todos os temas são fortíssimos, sendo este um disco negro, sujo, enérgico, zangado, honesto e que é acima de tudo um disco sobre sexo, amor e morte, onde Polly soa até fatalista, como se se tratasse da sua própria vida ou morte, mas o futuro de Polly Jean Harvey mostrar-se-ia brilhante, pelo que ela terá muitas mais entradas nesta lista de discos de uma vida.